CE é o 2º maior produtor de coco e busca inovar

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Fortaleza recebe, até amanhã, a segunda edição do Fenacoco, que reúne empresários e pesquisadores do setor

Pães, bolos, doces e sorvetes, misturado ao leite em moquecas, vatapás ou ao natural, geladinho, o coco – fruto típico da gastronomia nordestina e brasileira – vem despertando o interesse da indústria e até da construção civil, desde o descobrimento do País. Hoje, presente na produção de óleos comestíveis, na medicina e em cosméticos, na produção de fibras curtas e longas e até na confecção de biomantas (utilizadas em taludes de estradas, contenção de encostas etc.), o fruto já movimenta no mundo, um mercado da ordem de US$ 500 milhões, apenas com a água de coco.


“A multiplicidade de utilização do coco e do coqueiro tem atraído a atenção de empresas nacionais e multinacionais, que estão implantando novas unidades fabris e ampliando a área de produção no País, sobretudo no Nordeste. “

Montante, que, por si só, vem despertando o interesse de estudiosos, pesquisadores e empresários de várias partes do País, diante da multiplicidade de usos do fruto e da árvore. A madeira do coqueiro também vem sendo aplicada em diversas formas, em forros, lambris, assoalhos, divisórias, móveis e no artesanato em geral, o que agrega novos valores na atividade.

“Esse (o mercado do coco) é um setor que tem muita pujança, haja vista as empresas multinacionais e nacionais que estão em processo de implantação de suas unidades fabris e agrícolas no Norte e Nordeste”, explica o diretor executivo da Cohibra, empresa de tecnologia na produção de coqueiros, Laerte Gurgel. Segundo ele, a expansão do setor, em torno de 18%, ao ano, vem atraindo uma série de empresas nacionais e multinacionais, que estão em processo de implantação de suas unidades fabris e agrícolas.

Ele citou como exemplos, a Liquid-Cohibra, Del Monte e Ducoco, no Ceará; Queiroz Galvão, em Pernambuco; Aurantiaca, na Bahia; e ainda, a Do Vale, na Paraíba; e Sococo, no Pará. Estas últimas com ampliação de área agrícola. Isso, acrescenta Gurgel, sem considerar as centenas de médios e pequenos investidores distribuídos no Brasil, voltados para o “agrobusiness coco”, afirma o executivo.

Fenacoco

Desde ontem (26) e até amanhã 28), está sendo realizada, no Marina Park Hotel, em Fortaleza, a segunda edição da Feira Nacional do Coco (Fenacoco).

Com uma série de palestras, três workshops e degustações de produtos feitos a partir do fruto, o evento reúne pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), das universidades de São Paulo (USP), Católica do Pernambuco (Unicap) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), produtores, empresários, ambientalistas e gestores dos setores público e privado, para discussões de temas e proposições de novas ideias para o setor do coco.

Variedade

Laerte Gurgel explica que, apesar da maior parte da cultura ser voltada para a água pura ou envasada, ralado e na produção do leite de coco, as indústrias que estão se instalando no Brasil, “terão um mix ampliado de produtos, o que agregará novas receitas para a cultura do coco”.

Embalada em caixinhas tetra pak, a água de coco já está despertando o interesse dos americanos, a partir do “just coco”, produto produzido na Paraíba e exportado para os Estados Unidos pelo empresário cearense Aroldo Azevedo.

Interesse no Nordeste

Conforme Gurgel, o interesse pelo coco do Nordeste ocorre porque a região tem despontado como um dos maiores produtores do fruto do Brasil, dentre outros fatores, devido à condição climática. “O Ceará é, hoje, o segundo maior produtor de coco do país, atrás apenas da Bahia”, afirma.

A cultura do fruto requer solos arenosos e areno-argilosos, com boa profundidade, altitudes menores que 700 metros, com um mínimo 1.800 horas/luz/ano, temperatura entre 26 e 32 graus e precipitação pluviométrica superior a 1.200 mm/ano. Para compensar o déficit hídrico no Nordeste e garantir melhor produtividade, a cultura do coqueiro vem sendo estimulada por sistemas de irrigação.

Atualmente, o setor gera cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos e poderá, num horizonte de cinco anos, dobrar esta demanda. “O Brasil é o maior produtor de água de coco no mundo. É o País com a maior área plantada de “coqueiro anão”, destaca Laerte.

Fonte: diariodonordeste.globo.com

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