Cultivo do coco incorpora novas tecnologias e atrai até multinacionais

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Maior valorização do fruto, puxada pela demanda, resultou no desenvolvimento do setor no Estado

Há uma década, os produtores cearenses de coco dificilmente imaginariam que o cultivo do fruto passaria por um processo tão intenso de evolução, representado, nos últimos anos, não apenas pelo aumento da produção, mas também por diversas inovações que apontam para uma reestruturação de todo o segmento no Estado.

Em um mercado no qual a demanda por água de coco tem crescido a um ritmo acelerado a cada ano, a participação do Ceará tem sido a segunda mais expressiva do País e deve aumentar nos próximos anos, caso venham a se instalar aqui multinacionais que desejam aproveitar o potencial do Estado.

Entre 2002 e 2012, por exemplo, a produção de coco no Ceará evoluiu 43%, passando de 202 milhões de frutos para 289 milhões de unidades. Já o valor do produto aumentou 154% no mesmo período. Em 2011, 16,5% do coco produzido no País teve origem no Estado.

Valorização

Segundo o técnico da Diretoria de Agronegócio da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) Sérgio Baima, o principal fator que alavancou a produção cearense do coco nos últimos anos foi a valorização do produto, por conta da demanda no mercado, entre o meio e o fim da década passada. Como o coco era vendido a um preço muito barato, explica o especialista, também era pouco o interesse de potenciais produtores.

“O coco que valia 20 centavos de real hoje é mais de 60 centavos. Quando os preços reagiram (à procura maior), isso teve impacto em toda a cadeia do coco”, salienta. Com isso, destaca Baima, o fruto passou a ser alvo de interesse crescente de pequenos produtores cearenses a multinacionais que hoje pretendem atuar no Estado.

Vantagens

Entre as vantagens do cultivo do coco mesmo para a produção de pequeno porte, aponta, está o fato de o fruto ter um custo relativamente baixo de produção, em comparação com outros itens que também compõem a cultura agrícola do Estado, como manga, melão, melancia e goiaba.

De acordo com o geógrafo Leandro Cavalcante, que tem estudado a produção do fruto no Ceará, outro fator que levou ao aumento considerável da produção foi a incorporação de novas tecnologias, sobretudo às relacionadas a técnicas de irrigação. Um exemplo, aponta, é o uso de microaspersores, que, de forma totalmente automatizada, irrigam cada coqueiro individualmente com uma quantidade precisa de água. “Essa técnica vem aumentando consideravelmente a produção dos coqueiros”, frisa Cavalcante.

O geógrafo cita também novos métodos ligados à adubação, os quais têm proporcionado não apenas maior produtividade, mas também economia no uso de fertilizantes e na mão de obra. Cavalcante destaca ainda que as principais mudanças estão relacionadas ao cultivo dos coqueiros do tipo anão e híbrido, os quais se destinam sobretudo ao consumo de água de coco, enquanto o cultivo de coqueiro gigante, de modo geral, ainda se dá em moldes semi-extensivos, com a adoção de tecnologias menos recentes.

JOÃO MOURA

REPÓRTER

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com

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