Coqueiro híbrido: Uma opção ao produtor

0
494

O gênero Cocos é constituído apenas pela espécie Cocos nucifera L., a qual é composta de algumas variedades, entre as quais as mais importantes são: Typica (Var. Gigante) e Nana (Var. Anã). Os híbridos de coqueiro mais utilizados no Brasil e no mundo são resultantes dos cruzamentos entre essas variedades. No Brasil estima-se a existência de uma área plantada de aproximadamente 290 mil hectares, composta pelas variedades Gigante e Anã e híbridos.

O coqueiro Gigante é o mais explorado, sendo que aproximadamente 70% da área de cultivo no Brasil são dessa variedade, sendo esta a variedade mais adotada entre os pequenos produtores. No Brasil, é muito empregado in natura para uso culinário (na produção de doces, bolos etc.), bem como na agroindústria de alimentos para leite de coco, farinha de coco, entre outros.

Na Região Nordeste o que se predomina é um sistema de cultivo semiextrativista com variedades de coqueiro Gigante e híbridos naturais não selecionados, com a produção destinada ao coco seco. As estimativas são de que a média de produção brasileira é de 30 frutos/planta/ano, o que representa uma produtividade baixíssima. Essa baixa produtividade está associada a vários fatores, mas, principalmente, pela implantação da cultura com materiais genéticos não melhorados, que possuem base genética estreita, baixa adaptabilidade e estabilidade de produção, e bastante susceptíveis a estresses bióticos e abióticos. Somando-se a não adoção de cultivares melhoradas ainda se constata a existência de coqueirais abandonados e produtores desestimulados devido ao baixo preço do produto. Estes problemas em conjunto refletem em uma produção insuficiente para suprir as necessidades do mercado interno, o que acarreta a necessidade de importações de coco ralado.

Além dos problemas expostos, no último mês de Agosto, foram extintas as medidas de salvaguarda que estabeleciam cotas de importação ao coco ralado que perduravam por 10 anos. Como nos países Asiáticos custo de produção deste produto é inferior ao Brasileiro há a probabilidade de que se aumentem as importações, o que derrubaria os valores pagos no mercado nacional, comprometendo ainda mais o lucro dos produtores rurais.

Nesse contexto, o melhoramento genético possui grande importância, com a finalidade de gerar cultivares de coqueiro mais produtivas, tornando o país mais competitivo e, portanto, menos vulnerável a importação de coco.

A Embrapa vem desenvolvendo ao longo dos anos um trabalho de desenvolvimento e seleção de híbridos intervarietais de coqueiro. O coqueiro híbrido intervarietal Anão x Gigante, é uma cultivar de ampla utilidade comercial, podendo ser empregada para produções de água de coco e de fibras, e principalmente, para produção de polpa ou albúmen sólido. Os híbridos intervarietais, em geral, apresentam diversas vantagens sobre os Gigantes. Dentre essas vantagens podemos citar: sementes com germinação mais rápida; crescimento da planta mais lento; menor porte; florescimento mais precoce; maior uniformidade; maior produção de frutos por planta; estabilidade de produção; maior produtividade por hectare e água mais saborosa.

Sendo assim, o coqueiro híbrido oferece ao produtor rural a oportunidade de trabalhar dois mercados distintos; o de coco verde e o de coco seco. O fruto pode ser colhido ainda verde e ser comercializado para o consumo de água de coco com características semelhantes a do anão, com as vantagens de possuir maior rusticidade, maior tamanho do fruto e maior quantidade de água. Quando o fruto for colhido seco, pode ser comercializado para a indústria alimentícia com algumas vantagens sobre o gigante, por possuir maior precocidade, menor porte, maior número de plantas por área plantada, traduzindo-se em maior produtividade.

Também podemos citar algumas desvantagens dos híbridos, como a impossibilidade de utilização de seus frutos como sementes, pois ocorrerá segregação genética e seus descendentes serão desuniformes e com desempenho inferior no tocante às características de interesse agronômico e econômico.

Levando em consideração todas essas informações, o coqueiro híbrido, devido a sua constituição genética, apresenta maior adaptabilidade e estabilidade de produção. Portanto, poderá ser utilizado para a exploração da cultura nas diversas regiões do Brasil, colocando-se com uma alternativa altamente viável para o produtor rural compor os seus sistemas de produção.

Emiliano Fernandes Nassau Costa e Francisco Elias Ribeiro são pesquisadores da da Embrapa Tabuleiros Costeiros

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui