Coco: muito além da água e do óleo

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Os coqueiros emolduram e conferem uma beleza sem igual ao litoral brasileiro. É difícil imaginar as praias do Nordeste, e também de outras regiões do Brasil, sem sua presença icônica. Mas, nem sempre os coqueirais fizeram parte desta paradisíaca paisagem. Os estudiosos se dividem quanto à origem do coqueiro. Para a maioria,  ele é originário do sudoeste do Pacífico, outros, no entanto, acreditam que ele tem como origem a Ásia.

Mas, a verdade é que o coqueiro encontra-se disseminado ao longo da faixa costeira, dos países tropicais. A dispersão natural, através das correntes marítimas (o fruto pode flutuar durante dias na água do mar, sem afundar e sem danificar o embrião) e a ação dos navegantes (polinésios, malasianos, árabes e, mais tarde, os europeus), favoreceram esta propagação. Os europeus difundiram o coco, a partir da Ásia e Leste africano, para o Oeste da África e para a costa do Atlântico da América.

No Brasil, as primeiras referências ao coqueiro foram feitas no ano de 1587, através do Tratado Descriptivo do Brasil, de Gabriel Soares de Souza, que diz: “As palmeiras que dão os cocos se dão bem na Bahia, melhor que na índia, porque metendo um coco debaixo da terra, a palmeira que dele nasce dá coco em cinco e seis anos, e na índia… em vinte anos”. Pois é, os portugueses trouxeram as primeiras mudas para a Bahia, onde os coqueirais se adaptaram muito bem e depois se alastraram para outras regiões do Brasil.

Na atualidade, existe a exploração comercial do coqueiro, em aproximadamente 90 países, onde a cultura do coco encontra as melhores condições de cultivo (intensa radiação solar, umidade, solos arenosos e boa precipitação). A Indonésia se destaca como o maior produtor mundial de coco. O pódio é completo por Filipinas e Índia. Em quarto lugar aparece o Brasil, com uma produção de 2,8 milhões de toneladas (que equivale a 80% da produção da América do Sul), seguido por Sri Lanka, Tailândia, México, Vietnã, Papua Nova Guiné e Malásia.

Em nosso país, dentre os dez maiores produtores de coco, sete estão localizados na região Nordeste, tendo o estado da Bahia como o maior produtor, seguido pelo estado de Sergipe e Ceará, sendo estes estados responsáveis por mais de 50% da produção nacional de coco. Depois vem o Pará, Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. A área plantada se aproxima dos 290 mil hectares, distribuídos entre as variedades de: coqueiro Gigante (destinado à produção de coco seco), coqueiro Anão (água de coco) e híbrido (resultado do cruzamento do Anão com Gigante, com dupla finalidade comercial, destinado tanto para consumo in natura quanto para uso agroindustrial).

A importância comercial do coqueiro se faz de várias formas: óleo do coco (feito com a copra, que é a carne seca da semente), leite de coco, ração para animais (feita com o resíduo da preparação do óleo), o tronco fornece madeira para a construção, as folhas fornecem materiais para cestas e palha de telhado, as fibras tem diversas finalidades (tapeçaria, fábrica de pincéis, cordoaria, combustível, cultivo de plantas, enchimento de colchões e em estofamento de veículos). O óleo também é muito usado na indústria para a produção de margarina, glicerol, cosméticos, detergentes sintéticos, sabão, velas e fluídos para freio de avião.

Recentemente, existe uma propensão para a exploração do coco, voltada para o comércio da água do coco verde. Segundo a ABIR – Associação das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas, em 2008 o consumo da água de coco, no Brasil, foi de 39 milhões de litros. O espaço no mercado que a bebida vem conquistando se deve ao fato de ser um produto natural, relativamente pouco calórica (20 calorias/100 ml), praticamente livre de contaminações e de um considerável valor nutricional.

Na água de coco você encontra o potássio (o mineral presente em maior quantidade), sódio, ferro, zinco, cobre, cálcio e magnésio. Também contém vitaminas do complexo B e, quando o coco ainda está verde, uma boa fonte de vitamina C. É sempre bom lembrar, que a composição nutricional da água do coco pode variar por conta do processo de maturação do fruto e da composição do solo onde o coqueiro foi plantado.

Recordamos também, que o potássio é um dos principais minerais para o bom funcionamento do corpo e que é fundamental no controle da hipertensão. O potássio ajuda a equilibrar a quantidade de água presente nas células e a sua deficiência prejudica o crescimento, enfraquece os ossos e provoca a diminuição dos batimentos cardíacos. O potássio também evita as cãibras.

A água de coco também vem sendo utilizada para substituir as bebidas utilizadas para a reidratação, após exercícios físicos. As vantagens da água de coco, com relação aos isotônicos utilizados pelos atletas, são muitas: já vem naturalmente adocicada, não causa sensação de desconforto gástrico, não causa náuseas e pode ser consumida em grandes quantidades.

E a utilização da água de coco traz mais vantagens: ela é antioxidante e, segundos indicam alguns estudos, apresenta ação protetora em relação ao aparecimento de tumores malignos. Outros estudos também têm demonstrado seus efeitos de proteção ao fígado, de combate ao estresse oxidativo e de inibição do aparecimento de células cancerosas. Pesquisas indicam também, que a água de coco também possa apresentar ação indireta na prevenção do enfarte do miocárdio, ser anti-inflamatória e anti-helmíntica (combate aos vermes intestinais). E ainda, por sua capacidade diurética, tem sido testada no tratamento de pedras nos rins.

O óleo de coco possui propriedades antibacterianas, antivirais e antifúngicas, tornando o óleo um forte aliado para o sistema imunológico. Embora os estudos com relação ao óleo de coco e seus benefícios ainda sejam recentes, foi observado em determinados pacientes um sutil emagrecimento, com redução de gordura abdominal e melhora substancial da função intestinal para pessoas com tendências à constipação. Por seu agradável paladar, o óleo de coco pode ser ingerido puro, em sucos, saladas, batido em vitaminas, misturado com cereais ou cremes.

Motivos não faltam para você incluir a água de coco e o óleo de coco no seu dia a dia. Para ajudar na prevenção de doenças, para reidratar, para afastar o estresse, matar a sede ou apenas se refrescar. O consumo da água de coco, no entanto, deve ser controlado, devido à presença, em sua composição, do sódio e do potássio. Com relação ao óleo do coco, o ideal é procurar um nutricionista para orientar na quantidade correta para o consumo.

 

Curiosidades
 

Você sabe como se forma a água no coco?

 

A água vem do solo onde o coqueiro foi plantado, onde a planta absorve o líquido, criando uma reserva, para ajudar no desenvolvimento do fruto. Enquanto o coco amadurece, o líquido vai se solidificando, formando a póla grossa e suculenta, que vemos no coco maduro.
(fonte: Revista Recreio)

 

Qual o motivo da incidência de tantos coqueiros perto da praia?
 

Porque esse é o ambiente ideal para o desenvolvimento dessa planta, onde ela encontra temperaturas altas, bastante chuva e água de lençóis subterrâneos. Além disso, a brisa que sopra constantemente dificulta a instalação de doenças nas folhas. E, ao contrário do que ocorre com a maioria das plantas, o sal misturado no solo não atrapalha o desenvolvimento dos coqueiros.
(fonte: Revista Recreio)

 

Fontes:
– Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária;
– Propriedades Nutricionais da Água de Coco – Renata Trommer, acadêmica de nutrição FSP-USP;
– http://pt.wikipedia.org;
– http://www.sococo.com.br;
– http://www.ceplac.gov.br;
– http://saude.terra.com.br

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