Coco híbrido produz mais carne e água

Uma nova variedade híbrida de coco, formada a partir do coqueiro anão com coqueiro gigante e que tem dupla aptidão, está à disposição dos produtores para ser cultivada por produtores rurais do interior paulista. As mudas são oferecidas pela Estação Experimental de Bebedouro. Segundo o pesquisador científico José Antônio Alberto da Silva, apesar de ser localizado em diversas partes do Brasil, o coqueiro é uma planta exótica, trazida da Ásia logo após o descobrimento do Brasil. Os primeiros coqueiros a fincarem raiz em território nacional eram palmáceas da variedade gigante, cujo fruto tem pequeno volume de água, mas boa quantidade de “carne” (polpa).

Cerca de 400 anos depois, por volta de 1925, foi a vez de ser plantado no Brasil o coqueiro anão, que atinge 12 metros de comprimento e produz água em maior quantidade e sabor mais agradável. “Um coqueiro híbrido chega a 18 metros de altura, enquanto um coqueiro gigante ultrapassa os 30 metros”, afirmou. Em Bebedouro, a cultura começou a ser estudada a partir de 1996, quando os produtores rurais começaram a procurar alternativas para diversificar a atividade e, principalmente, substituir a citricultura. “Nós começamos a buscar informações sobre o plantio e trouxemos material do anão para a Estação Experimental”, afirmou Silva.

A partir de 2001, a Estação Experimental, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), iniciou a produção de semente de coco híbrido. Silva conta que todo o processo, desde a compra da semente do coco gigante em Aracaju a aplicação do pólen nas flores do coqueiro anão, é realizado na estação. O resultado do processo é uma geração de sementes de coco híbrido denominada F1. “Esses frutos, depois de germinados, apresentam dupla aptidão”, afirmou. Enquanto o coco anão entra em produção a partir do terceiro ano, permite a colheita de 120 frutas por planta e é vendido como coco fresco para consumo de água, o coco gigante começa a produzir a partir do sétimo ano, dá cerca de 70 frutos, apresenta pequeno volume de casca e boa quantidade de carne depois que seca e é destinado para a indústria. “O coco híbrido começa a produzir aos quatro anos de idade, gera uns 150 cocos, tem volume e qualidade de água que permite a comercialização da fruta fresca e, caso o produtor não coloque o produto no mercado in natura, pode destinar a produção para a indústria de alimentos, porque o coco seca e apresenta boa quantidade de carne”, disse.

Cultura exige muita água disponível
O espaçamento recomendado para o plantio de coco é 7 metros entre as ruas e 6 metros entre as plantas. “Água é primordial. Não dá para querer cultivar coco sem sistema de irrigação. Cada planta precisa de 110 litros de água por dia”, explicou o pesquisador José Antônio Alberto da Silva. Outro fator que precisa ser respeitado é o espaçamento. O coqueiro necessita de iluminação e é preciso fazer manejo e adubação adequados. O pesquisador alertou que algumas empresas estão oferecendo coco híbrido, mas de uma segunda geração (F2), que pode ser resultado da geração F1, que é realmente híbrida, com pólen de uma geração de coco anão. A segunda geração, que não tem controle, há perda de qualidade e não há a mesma homogeneidade, ocorrendo a segregação, que é a volta às características dos pais.

Segundo Silva, existem 600 pragas e doenças que provocam prejuízos ou levam o coqueiro à morte. “Felizmente, as mais letais ainda não estão no Brasil. Mas temos o besouro que transmite o anel vermelho e a podridão seca, que são bastante importantes”, disse. Para Silva, é imprescindível ter manejo, irrigação e adubação, além de estar consciente das dificuldades e conhecer as exigências da cultura. “Teve muita gente que plantou na euforia. Essa fase já passou”, disse. Atualmente, existem apenas dois locais com produção de coco híbrido no Brasil. “Uma é a unidade da Embrapa em Petrolina (CE) e a outra é aqui, em Bebedouro”, disse. Cada muda de coco híbrido é comercializada por R$ 7,00. A Estação Experimental de Bebedouro tem vendido mudas de coco híbrido para propriedades de diversas regiões do País. “Vendemos mudas para produtores do Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e, principalmente, para todo o interior paulista”.

Silva adverte aos interessados que a Estação Experimental tem disponibilidade de 5 mil a 6 mil mudas. Volumes superiores a estas quantidades precisam ser encomendados com programação. Além disso, a Estação Experimental oferece orientação técnica para os produtores que adquirem a muda seja por telefone, por e-mail e pessoalmente. “Só não podemos ficar indo toda hora na propriedade. Só vamos em caso de emergência”. O endereço da Estação Experimental de Bebedouro na internet é “www .estacaoexperimental.com.br”. O preço médio pago ao produtor por fruto é R$ 0,50 a unidade. “Esse valor remunera, mas o produtor tem de ter fruto com tamanho bom e produtividade”, afirmou.

Fonte: http://www.diarioweb.com.br/

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